<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699</id><updated>2011-04-21T11:35:55.465-07:00</updated><title type='text'>Literatura, Meu filho ?</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>44</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-8218666207451529595</id><published>2009-05-12T19:05:00.000-07:00</published><updated>2009-05-12T19:07:13.687-07:00</updated><title type='text'>Mudança</title><content type='html'>Amigos, este blog lentamente está se mudando para moinhomeu.blogspot.com&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá vocês encontrarão textos novos e alguns antigos, anteriormente publicados aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços a todos e obrigado pela leitura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-8218666207451529595?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/8218666207451529595/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=8218666207451529595&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/8218666207451529595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/8218666207451529595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2009/05/mudanca.html' title='Mudança'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-4179979053790051812</id><published>2008-02-18T19:27:00.000-08:00</published><updated>2008-02-18T19:28:50.127-08:00</updated><title type='text'>Sem título</title><content type='html'>Várias ligações internacionais para o México encarecem as contas de telefone do Kremlin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era Stalin passando Trotski.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-4179979053790051812?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/4179979053790051812/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=4179979053790051812&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/4179979053790051812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/4179979053790051812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2008/02/sem-ttulo.html' title='Sem título'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-1683716875315279832</id><published>2008-02-05T22:54:00.000-08:00</published><updated>2008-02-05T22:57:00.895-08:00</updated><title type='text'>Mariana</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tenho vontade de dizer às palavras o quanto as amo, mas nunca acho as palavras certas.&lt;br /&gt;Saem de mim e ficam soltas, como um bloco de carnaval que se perdeu na terça a noite, e não vai mais voltar. Tenho ciúmes confessos e expressos. Detesto as ver por aí entre vírgulas que não as merecem, ou frases–abrigo que as põem em desconforto, como um cobertor que deixa os pés de fora quando se cobre o pescoço. Se posso, acordo de madrugada e tento cobri-las. Fico vigiando seu sono tranqüilo, e volto a dormir com a impressão de missão cumprida. Há um axioma que diz que uma imagem vale mais do que mil palavras. Sonho roubar o imenso arquivo de imagens da empresa em que trabalho e trocar tudo por palavras. Viraria um fazendeiro rico. Por enquanto, cuido da minha pequena chácara. Cultivo minha cria, rego com a melhor água que posso, peço aos céus para que chova, e torço para que cresçam. Olho de esguelha para o dicionário, e sorrio contente: são rebeldes essas meninas. Imagine só: nem toda palavra que há no dicionário há no dicionário. Não há árvore no mundo que chegasse para um disparate desses. Borges e sua biblioteca que me desculpem. Palavra é palavra bonita. Adoro palavra que tem muitos ás. Gosto também das de hífen. Grão-de-bico. O tracinho lhes confere elegância. Mas voltando aos ás, é Mariana de quem gosto ultimamente. Tem três ás, e tanto pode ser Maria + Ana, como também algo que é próprio, ou originário de Maria. Pode ser ainda – vai no Houaiss que está lá – pode ser fruta-de-sabiá ou castanha-de-anta. É hífen que não acaba mais, é fruta, animal, é passarinho, é pau, é pedra é o fim do caminho. E a anta não espanta. Deve ser bonita essa planta.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;                                                      &lt;/p&gt;&lt;p&gt;                                               M A R I A N A&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Palavra que RI ,&lt;br /&gt;                                                que RIMA,&lt;br /&gt;                                                                                  que MIA,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                            que AMA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que é MAR, que é AR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Meu par, meu amor, meu bebê, meu lugar. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-1683716875315279832?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/1683716875315279832/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=1683716875315279832&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/1683716875315279832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/1683716875315279832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2008/02/mariana.html' title='Mariana'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-826918444067101922</id><published>2007-12-02T16:23:00.000-08:00</published><updated>2007-12-02T16:30:14.422-08:00</updated><title type='text'>À Máquina</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Quando eu era menino, meu pai costumava pedir para que eu apagasse alguma luz que havia deixado acesa bradando que não era sócio da Light. Isso numa época em que eu mal sabia o que era ser sócio, e muito menos o que significava Light. Com o tempo, soube de outros amigos, que a bronca também se repetia da mesma maneira na casa deles. Hoje, que bem sei o que é ser sócio, e tenho uma baita conta da Light para pagar todo mês, fico me perguntando como deve ter sido a infância do filho do sócio da Light. Imagino um palacete iluminado, com imensas janelas de vidro, ostentando luz em meio às casas de um bairro alto, talvez o Valparaíso. Toda vez que o filho apagasse alguma luz acesa na casa, o pai lhe diria carinhosamente: “Precisa, não filho, papai é sócio da Light.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o menino também tinha lá suas angústias. Muitos de seus amigos gostavam de dormir na sua casa, mas ele duvidava da honestidade da amizade deles. Podiam ser interesseiros. Não pelo seu dinheiro. No seu ciclo de amizade, havia filhos de sócios de empreiteiras, multinacionais e até bancos. Mas o filho do sócio da Light, às vezes, tinha a impressão de que os amigos só queriam ir à sua casa porque, como quase todos os meninos da sua idade, tinham medo do escuro. Mas ele não, ele tinha medo é de claridade. No auge do verão, quando ia para a piscina do Petropolitano, tão logo o sol de meio-dia começava a devorar as sombras, ele telefonava pra casa: “Genalva, vem me buscar que eu estou odiando.” A Babá, muitas vezes, cogitava a idéia de que ele era um menino problemático, triste. Mas ele se refugiava nas sombras de uma mangueira e brincava a tarde toda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, acabou a luz na empresa. Esperamos por quase três horas para que ela retornasse, e nada. Quando o trabalho começou se acumular sobre as mesas, um dos sócios teve uma idéia brilhante: foi até um armário nos fundos da garagem, e retirou de lá quatro Remingtons empoeiradas, mas funcionando perfeitamente. Ele sorriu triunfante. A idéia de guardar as máquinas, há mais de quinze anos, não fora coisa de velho, como disseram à época. Feliz como um menino que ganha um brinquedo novo, eu comecei a traduzir um documento para o consulado. O tec-tec que meus dedos produziam me fez sentir uma imensa saudade do meu pai. &lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-826918444067101922?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/826918444067101922/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=826918444067101922&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/826918444067101922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/826918444067101922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2007/12/mquina.html' title='À Máquina'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-3239342531838585178</id><published>2007-09-28T16:47:00.000-07:00</published><updated>2007-09-28T16:50:32.472-07:00</updated><title type='text'>Poema?</title><content type='html'>Hoje não tem poema&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje baixou em mim espírito de porco espinho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;rosa roseira urgência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu caí com a mão inteira em cima do roseiral&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;rosa roseira pantanal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tá doendo pra caralho&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-3239342531838585178?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/3239342531838585178/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=3239342531838585178&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/3239342531838585178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/3239342531838585178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2007/09/poema.html' title='Poema?'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-2424016879325728693</id><published>2007-08-26T21:25:00.000-07:00</published><updated>2007-08-26T22:04:03.722-07:00</updated><title type='text'>Desamor</title><content type='html'>1&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sidarta no chão, nos braços de Nina. Sem camisa, mostra o menino esquálido que fora nos últimos meses: a prisão lhe havia tirado um ano e meio de vida, e quase vinte quilos. Agora, Sidarta se esvai em sangue. Nina sabe que não há mais o que fazer. Abraça Sidarta e se entrega às dores que sente no peito. São punhaladas, que em total descompasso com seus soluços, parecem lhe afogar. Não sabe o que esperar. Não tem o que esperar. As únicas testemunhas, putas que esperavam o dia nascer nas cadeiras do quiosque ao lado, atravessaram rápido a Atlântica assim que ouviram os disparos. Nina sabe o que fazer: ajeita as mãos de Sidarta, morto, ao lado do corpo e sai. Dá três passos e volta. Retira com cuidado da cabeça de Sidarta  a canga com a estampa imitando o calçadão de Copacabana e a abre para ver se está manchada de sangue. Só então se dá conta de que está sobre aquelas mesmas pedras portuguesas. Ri de pena. Volta a enrolar o pano na cabeça do menino e some por entre os prédios.&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-2424016879325728693?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/2424016879325728693/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=2424016879325728693&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/2424016879325728693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/2424016879325728693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2007/08/desamor.html' title='Desamor'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-8745808638661421103</id><published>2007-07-11T00:04:00.001-07:00</published><updated>2007-07-11T00:06:18.169-07:00</updated><title type='text'>Esta é uma carta de suicídio</title><content type='html'>Uma carta de suicídio de quem não agüenta mais ver as prateleiras de livros de auto-ajuda e dos antidepressivos vazias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De quem não suporta mais ver os amigos trocarem os anos de rebeldia e doação pela impaciente adesão ao mundo que existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma carta de suicídio de quem não suporta mais ver o mundo que existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De quem não suporta mais saber que para o mundo existir, torna-se necessário sacar a existência do menino que dorme ao meio-dia, na calçada cheia de gente. (Se não lhe saco a existência, não parto a caminho de lugar nenhum).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas para onde parto, já que adio meu existir num ato egoísta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não o adio por ninguém, senão por mim mesmo, e se o adio por mim mesmo, estou fugindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não sei para onde parto, como saberia para onde fujo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estanco minha fuga na consciência de que sei que há o menino que dorme ao sol de meio-dia, na calçada cheia de gente. E antes de qualquer compaixão, há a consciência, que me leva a compará-lo a um cachorro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É como um cachorro, não mais um menino de rua. Ele não busca abrigo na marquise durante a noite, ou na chuva. Ele se estira exausto, ao sol do meio-dia, à passagem de todos. E fui eu quem lhe sugou a existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da consciência, e não da compaixão, vem a culpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a culpa a gente abana, como um cachorro sacode suas pulgas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto culpa também por ter medo, me odeio por ter medo. Tenho vontade de não ter nada, para não ter medo. Mas é preciso, antes, ter coragem para não ter nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sinto que estou me perdendo. Voltando ao assunto, esta é uma carta de suicídio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou me matar, é claro, por causa do menino. Não o menino estirado no chão, ao sol de meio-dia. Talvez pelo medo que tenho de outro, o de olhos castanhos enormes, que me olha e pergunta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não queria ser cantor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, eu nunca quis ser cantor. Queria, isso sim, cantar bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas esse é o verdadeiro desejo de ser cantor. Agora, veja você, quer ser jornalista, quer ser escritor. Não quer escrever bem. Entende a diferença?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendo e não entendo. O menino dos grandes olho castanhos é enigmático. Mas ele vê o menino estirado no chão ao sol de meio-dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou mais uma vez fugindo do assunto. Isto é uma carta de suicídio. E digo mais, é uma carta e um apelo. Que hoje, comigo, você que me lê também se suicide, porque não há motivo maior para isso do que os motivos que citei acima. E a eles poderia acrescentar muitos outros, mas todos convergem para as prateleiras de auto-ajuda e as dos antidepressivos cheias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se você concordar comigo que realmente há motivos para se matar por isso, vai concordar também que a vida sem as prateleiras de auto-ajuda e de antidepressivos vazias é a vida plena que queremos ter. E se assim é, a gente se mata para viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Pausa grande)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora que já me matei, vou me redesenhar. Vou marcar pequenos pontos num papel, e em seguida conectá-los com linhas. Do desenho que sair, este sou eu. Se algum de vocês quiser seguir a receita, segue como exemplo, abaixo, alguns dos pontos que escolhi:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ter visto no curta da Maria-Flor o cartão postal que dei para ela.&lt;br /&gt;- A morena que sambava na festa da Carol.&lt;br /&gt;- A risada do Clodoaldo.&lt;br /&gt;- A altivez do Rodolfo&lt;br /&gt;- O fato de não ter nada para dizer sobre o Rafael&lt;br /&gt;- O fato de ter pensado em escrever um texto sobre a nobreza de pessoas simples, e ter vontade de citar como exemplo o sambista Monarco, que parece um príncipe. Monarquia já!&lt;br /&gt;- O fato de usar o livro Paz, Amor e SGT. Peppers como mouse pad.&lt;br /&gt;- O fato de ter escrito um texto completamente desconexo, e não saber como terminá-lo, mas saber que não quero, e não vou terminá-lo depois.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-8745808638661421103?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/8745808638661421103/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=8745808638661421103&amp;isPopup=true' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/8745808638661421103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/8745808638661421103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2007/07/esta-uma-carta-de-suicdio.html' title='Esta é uma carta de suicídio'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-3753740402096818198</id><published>2007-07-08T21:34:00.000-07:00</published><updated>2007-07-08T22:02:49.147-07:00</updated><title type='text'>Pensamento do dia: ouça mais o seu amigo seqüela</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dois amigos numa mesa de bar da Renânia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ô Marx, vou pedir mais um pernil com babata. Divide comigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pede aí, pode pedir. Ô amigo, traz uma cerveja escura, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pô, cara, experimenta essa daqui, vermelha.  É de uma cidadezinha... Rapaz, esqueci o nome agora. Ali, perto da capital da Hungria, um principadozinho, como é o nome? É Wisn alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei não cara. Não conheço. Mas eu prefiro cerveja escura que me dá menos azia. Mas você falou esse negócio de capital, rapaz, sabe que eu tava pensado esses dias...É...Ah, esquece essa porra!.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pensando o que, rapaz, fala aí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, porra nenhuma. Deixa pra lá. Besteira minha. Viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pode falar cara, desembucha. É alguma coisa com tua mulher?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hahaha, não, nada a ver, era uma idéia de um livro, que eu tive, mas é viagem minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então beleza. Olha o pernil aí!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;==============================================================&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa taberna em Viena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pô Sig, tem mais de um ano que te chamo pra chegar lá na minha fazenda, e você nada. Fica nessa onda de estudar, estudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cara, tô meio sem tempo mesmo. Mas vamos ver, o verão chegando aí, quem sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então quero ver, hein? Ó, até o verão, tem um leitão que eu castrei não tem duas semanas, até lá o bicho já vai estar grandão, minha mulher prepara um pernil, que não é brincadeira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Castração, né? Pode crê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, pô, castração. Pro bicho crescer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe que esse dia eu escrevi um negócio sobre isso, mó viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Poema ou prosa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, uma viagem mesmo, parece papo de maluco, mas faz mó sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pode crê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas sei lá também. Quando escrevo doidão, acordo de manhã e rasgo a porra toda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hahaha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;==============================================================&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reuniãozinha na república de estudantes da Universidade Politécnica Federal Suíça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aí cara, tem alguém batendo na porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ih, dichava então, dispersa geral que pode ser da reitoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Entra embaixo da cama. Ô Johan, se tranca no banheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estudante dono do quarto abre a porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pode sair, galera, que é o Wilhelm.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Colé mermão, que cara é essa ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cara, passei na casa da Marie, ela tinha saído com o Lorentz, da matemática. Filha da puta, cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Calma, rapaz. Senta aqui. Toma uma cerveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cerveja é o caralho. Eu vou matar aquela piranha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Calma, cara, não adianta nada ficar nervoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nervoso? Cara, ela me sacaneou, isso eu não admito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pera aí também, ô Wilhelm. Isso também é relativo. Vocês nem tinha compromisso de nada. E você acha que ela não sabe que você dá teus pulos também?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Relativo é o caralho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos estudantes sobe na cama, de sapatos e tudo, e grita, levantando uma garrafa de cerveja:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tudo é relativo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ih, caralho, corta a cerveja do Albert que ele já tá doidão! &lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-3753740402096818198?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/3753740402096818198/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=3753740402096818198&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/3753740402096818198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/3753740402096818198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2007/07/pensamento-do-dia-oua-mais-o-seu-amigo.html' title='Pensamento do dia: ouça mais o seu amigo seqüela'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-1762045924805159155</id><published>2007-06-03T13:21:00.000-07:00</published><updated>2007-06-03T13:22:58.989-07:00</updated><title type='text'>Poema concreto de computador</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;     &lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;cAPS&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;lOCK&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-1762045924805159155?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/1762045924805159155/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=1762045924805159155&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/1762045924805159155'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/1762045924805159155'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2007/06/poema-concreto-de-computador.html' title='Poema concreto de computador'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-4261319385613816457</id><published>2007-05-10T21:08:00.000-07:00</published><updated>2007-05-10T21:09:02.026-07:00</updated><title type='text'>beijo</title><content type='html'>Tenho amado o que sinto&lt;br /&gt;desprezado o labirinto do não viver&lt;br /&gt;repentinamente a alma se cala em descompasso pedro&lt;br /&gt;sou reinante todo medo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;existir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-4261319385613816457?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/4261319385613816457/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=4261319385613816457&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/4261319385613816457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/4261319385613816457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2007/05/beijo.html' title='beijo'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-1243165702811516369</id><published>2007-04-18T09:49:00.003-07:00</published><updated>2007-04-20T13:45:33.698-07:00</updated><title type='text'>As coisas, e o porquê das coisas</title><content type='html'>Perguntaram a Edmund Hilary, primeiro alpinista a subir e descer o Everest, por que os homens escalam montanhas. A resposta foi lacônica:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque elas estão lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wolfgang Gülich, outro grande escalador, reeditou a frase na década de 80. Um repórter lhe perguntou por que escalava, ao que ele respondeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque é divertido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntaram a João Ubaldo Ribeiro sobre a decisão de ser escritor:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu acredito que é muito feio um ser humano não exercer uma atividade para a qual Deus lhe destinou talento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De minha parte, escalo porque é divertido, e as montanhas estão lá. Mas escrever não é agradável. As palavras não estão em lugar algum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria presunção demais crer que Deus me outorgou algum talento para a escrita. Acho que nunca, em vida, vou ter certeza disso. Mas como não posso ter certeza de que Deus existe, escrevo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-1243165702811516369?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/1243165702811516369/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=1243165702811516369&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/1243165702811516369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/1243165702811516369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2007/04/as-coisas-e-o-porqu-das-coisas_5597.html' title='As coisas, e o porquê das coisas'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-5792816525462882905</id><published>2007-03-26T22:47:00.001-07:00</published><updated>2007-03-27T07:12:31.138-07:00</updated><title type='text'>Azul</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando se viu sozinho, com o fuzil na mão, no meio da rua de terra batida, o sargento J.Mauro teve a certeza de que a situação estava controlada. Todo o pelotão descansava, tentando dividir um resto de sombra que o sol de duas da tarde deixava na calçada em frente. Mauro passou pelos companheiros, e dobrou a esquina. A calma empoeirada da tarde lhe feria os olhos. Caminhou até o meio-fio, e sentou. Estava encharcado. Na loja vazia em frente, reconheceu um regador de zinco, pendurado de cabeça para baixo no teto. Desviou o olhar para as próprias botas, respingadas de lama, e teve vontade de chorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda estava na mesma posição, só que com o capacete sobre o colo, quando vieram lhe chamar minutos mais tarde. Olhou para o capacete antes de colocá-lo na cabeça, e a cor lhe lembrou o giz que passava nos tacos de sinuca, nas tardes dos botecos da Rua São Clemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era de uma superioridade inferior, foi o que pensou quando fechou os olhos para tentar dormir. No Haiti, de nada lhe adiantava ser mais alto e forte que os outros soldados, se lhe faltava a virilidade necessária para empunhar o cacetete na hora de afastar manifestantes exaltados, como havia acontecido naquela tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pelotão fora chamado às pressas para dar cobertura a cinco soldados que organizavam a fila do caminhão pipa, numa das partes mais pobres Cité Soleil. Devido ao atraso de mais de duas semanas, o conflito era iminente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minutos depois que chegou, quando o aglomerado de gente de todas as idades e sexos começava a tomar forma de fila, um negro alto, com as maçãs do rosto protuberantes, se deslocou do grupo e veio falar com ele. Quase tocando-lhe a cara com a ponta do nariz, o negro gritou para Mauro uma frase, da qual ele não entendeu uma só palavra. Em seguida, deu-lhe as costas, falou rapidamente com três senhoras que estavam no final da fila, e sumiu num beco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma pedra caiu entre Mauro e dois soldados, e foi como um sinal para que a fila se desordenasse em paneladas, e empurrões. Mais de cinqüenta pessoas partiram para cima dos soldados, que tinha ordens explicitas de só atirar em último caso. Vendo que o grupo se entrincheirava atrás do caminhão, Mauro correu desesperadamente para atravessar a rua. A pressa ajudou a pedrada que recebeu nas costas a derrubá-lo de frente, com as costelas sobre o fuzil. Agüentou a dor, levantou, e continuou a carreira. Já atrás do caminhão, tentou achar no cinto uma bomba de gás lacrimogêneo, mas não encontrou. A chuva de pedras continuava, vinda do outro lado da rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A intifada parecia incontrolável, quando o caminhão pipa dobrou a esquina. A multidão como que se recobrou de um transe, e esquecendo os soldados, saiu correndo, catando panelas e bacias que pelo caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando os moradores estavam próximos do caminhão, alguns já dando socos e tapas na lataria, um jato d’água derrubou três senhoras no chão. Em pé, em cima do caminhão, um soldado empunhava uma mangueira. De onde estava, Mauro pôde ouvi-lo gritar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vocês não querem água, seus filhos da puta, então toma água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O soldado segurava a mangueira com as duas mãos, abaixo da barriga, simulando um grande pênis que urinava na multidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Toma água, seus filhos da puta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grupo de moradores avançou furioso, engrossado pelas pessoas que saíam das casas e lojas ao redor. O pelotão não teve outra opção, senão abrir fogo. Aos primeiros disparos, a multidão se dispersou aos berros, e em menos de um minuto, a rua que antes era palco de um estrondoso conflito, ficou deserta. O caminhão pipa desligou o motor. De pé, bem no centro da rua, sozinho, agarrado ao fuzil, estava o sargento J. Mauro. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-5792816525462882905?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/5792816525462882905/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=5792816525462882905&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/5792816525462882905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/5792816525462882905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2007/03/azul.html' title='Azul'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-6847906037409433233</id><published>2007-02-13T20:05:00.000-08:00</published><updated>2007-02-14T13:33:17.672-08:00</updated><title type='text'>Contínuo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Acordei barata&lt;br /&gt;Pegou fogo na estante&lt;br /&gt;Contínuo ex-contínuo&lt;br /&gt;Não se usa mais contínuo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje acordei atrasado. As baratas tinham acordado antes de mim. Provavelmente, passaram a noite comendo as sobras do jantar de ontem, migalhas que sobraram na sanduicheira. Fui obrigado a passar um pano úmido nela. Não ligava antes para os restos de pães antigos, mas de dois meses pra cá, as baratas começaram a freqüentar minha cozinha. Por causa delas,  chego ainda mais atrasado no escritório. No elevador, pensei em chamar a dedetização. Ponderei que o dinheiro andava curto. Talvez no trabalho soubessem de uma empresa que não fosse tão cara. Mas no fim, achei imprudente contratar uma dedetização barata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No térreo, me olhei no espelho, ajeitei o cabelo e ri do trocadilho imbecil. Não vou chegar a lugar nenhum desse jeito. Eu que quero ser escritor, mas até agora não passei de um contínuo, palavra que continuo usando a palavra para lembrar de Bicas, e de meu pai. Para mim, eu era vocalista de uma banda, mas agora sou boy num escritório de advocacia. Para Seu José, eu era Cruner, e agora contínuo em Juiz de Fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contínuo também porque estou sempre esperando a hora de falar para algum dos meus patrões: “Eu posso ser um ex-contínuo, mas o senhor é um filho da puta, seu filho da puta.” Oportunidade de chamá-los de filho da puta tenho aos montes durante o dia, mas não sou um ex-contínuo, e não faltaria com respeito a um texto de Nelson Rodrigues.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leio tudo que meu salário permite. Às vezes até, faço alguma extravagância. Na última delas, depois de colocar na sacola três livros, continuei a saga consumista no Mundo Verde: comprei um desses potes de porcelana nos quais se coloca uma vela na parte inferior, e essências aromáticas em cima. Já não agüentava mais os incensos dos hippies do calçadão da Halfeld, e como tinha acabado de ganhar o salário, achei que não ficava mal fazer essa melhoria estrutural no meu quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele dia, dormi lendo o Evangelho Segundo Jesus Cristo, de Saramago. Acordei com um clarão. Pensei que fosse Deus, mas era minha estante de livros pegando fogo. Tinha esquecido a vela acesa. Dos livros, que eram poucos, sobrou apenas o Evangelho, que dormia sobre a minha barriga. Não guardei remorso. Expliquei a situação ao Carlos, dono do Quarup, o sebo aqui do Bairro, e de pronto recebi uns quinze livros de presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;NT: Resolvi hoje que ia começar uma espécie de diário, mas ele também está atrasado. Na verdade, o que relato acima aconteceu ontem. Quando cheguei em casa à noite, tive tempo apenas de fazer os apontamentos que deixei acima).&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-6847906037409433233?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/6847906037409433233/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=6847906037409433233&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/6847906037409433233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/6847906037409433233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2007/02/contnuo.html' title='Contínuo'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-116866184262405304</id><published>2007-01-12T20:13:00.000-08:00</published><updated>2007-01-12T20:23:49.260-08:00</updated><title type='text'>Placas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;1&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cantava, e cantava alto, não importando se os passageiros do ônibus achassem aquilo estranho. Colocava os fones no ouvido, aumentava ao máximo o volume do MP3 player, e cantava. A altura do som, dizia ele, era porque apesar da pouca idade, já estava meio surdo. Gostava de contar que a causa fora a banda de adolescência, na qual o guitarrista tocava extremamente alto. Não se sabia se era verdade. Tivera sim, banda, mas nunca havia feito uma audiometria.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A banda? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O guitarrista, esse que me surdou, virou polícia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cantava, e se imaginava cantando. Sempre nos melhores palcos, mas palcos sempre reais. Bares na Lapa, casa de shows da Zona Sul. Se era para imaginar, que se imaginasse direito. As meninas da platéia, sempre reais também. Hora uma do estágio, hora outra da faculdade, às vezes até, uma da época do colégio. Nesses devaneios, era rei. Não um rei imaginário, mas de uma realeza real: ele, com a guitarra não, tocando e cantando as musicas que o modo aleatório do Ipod escolhesse.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cartola, Led Zeppelim;Beatles, Bob Dylan e Belchior; Nando Reis, Roberto Carlos, Paulinho da Viola, Mombojó. Só quando tocava Elís, ou Gal - na fase Vapor Barato, que fique claro - ele largava os vocais.Virava mero guitarrista. A imaginação tinha que ser real, e não dava para se imaginar mulher.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A música é realmente a mais bela das esquizofrenias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;2&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Dois mulatos. Ficou ressabiado, mas não dava mais tempo de esconder o Ipod.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Soco na cara, nariz ardendo, olho cheio de lágrima. Raiva. O moleque, olhos cheios de sangue. Ele disse que não. Quis negociar. Soco na cara, arrancão. Fone arrebentado. Raiva.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;3&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Voltou a ler. Sempre leu, desde criança. De leitura, era menos esquizofrênico. Nunca se imaginou um personagem.Agora, as leituras sacolejantes, no caminho da faculdade, estavam de volta.Lera há uns dois anos " Abusado", de Caco Barcelos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O repórter da Globo?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O repórter da Globo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Marcinho VP, o "Abusado", foi assassinado. O traficante, que tinha começado a ler por incentivo de amigos intelectuais, foi colocado dentro de uma lixeira. Sobre ele, os livros, e sobre os livros, uma placa:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;bandido não lê, seu babaca.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;4&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No ônibus, lendo o Evangelho segundo Jesus Cristo, de Saramago. O livro era novo, mas a edição, uma daquelas de banca de jornal, se fingia de antiga. Azul escuro, letras douradas.Ainda no começo, se fala de placa sobre um homem morto. Jesus de nazaré, Rei dos Judeus.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dois mulatos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Deu de ombros. Não de verdade, mas em imaginação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;bandido não lê, seu babaca.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os dois sentaram atrás dele.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só não mete o playboy, que ele tá lendo a bíblia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-116866184262405304?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/116866184262405304/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=116866184262405304&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/116866184262405304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/116866184262405304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2007/01/placas.html' title='Placas'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-116749670105579233</id><published>2006-12-30T08:37:00.000-08:00</published><updated>2006-12-30T08:38:21.056-08:00</updated><title type='text'>Feliz 2007!</title><content type='html'>Abaixo, o último texto de 2006, año perro. Para quem leu e comentou, para quem leu e não comentou, e para que não leu e não comentou, um Feliz 2007!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-116749670105579233?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/116749670105579233/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=116749670105579233&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/116749670105579233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/116749670105579233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2006/12/feliz-2007.html' title='Feliz 2007!'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-116749659512511094</id><published>2006-12-30T08:33:00.000-08:00</published><updated>2006-12-30T08:36:35.140-08:00</updated><title type='text'>Uma armação, um suporte de plástico do frango.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Estava tudo fechado no Cascatinha aquela hora. Faltou carne no churrasco improvisado, mas estava tudo fechado. Rafael foi à geladeria buscar cerveja e tentar uma solução. Quem sabe uma azeitona. Valia até queijo ralado puro. Colocou um punhado na mão e jogou na boca, ganhando um ralo cavanhaque branco. Do lado da garrafa de água, um pote de plástico emborcado sobre um prato. Dentro, um frango. Estranho, mas frango. Desfiaram. Sobrou um cabo arqueado, duro, de não mais do que quarenta centímetros. O frango foi para brasa, o cabo para o lixo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Deve ser um suporte de plástico, a armação do frango.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dia seguinte, tudo limpo. Tio Alberto iria chegar de viagem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tio Alberto não sabe, mas depois que começou a viajar com mais frequência, com mais frequência se faziam festas, reuniões, ou pequenos churrascos.As vezes com cerveja e carne, as vezes com cachaça e lingüiça. As vezes com cachaça e cerveja e mais nada, as vezes com cachaça, cerveja, pouca carne, e um frango meio duro, que foi colocado na brasa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Carro na garagem, Tio Alberto estava com sede.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Puta que pariu, quem comeu o tatu que eu deixei guardado na geladeira!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sorte que o que lixo já tinha sido posto na rua, ou iria ter surra de rabo de tatu aquele dia. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-116749659512511094?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/116749659512511094/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=116749659512511094&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/116749659512511094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/116749659512511094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2006/12/uma-armao-um-suporte-de-plstico-do.html' title='Uma armação, um suporte de plástico do frango.'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-116720401415081041</id><published>2006-12-26T23:17:00.000-08:00</published><updated>2006-12-26T23:20:14.160-08:00</updated><title type='text'>Trabalho da madrugada</title><content type='html'>Entusiasmado com sua maconha sem THC, Heath fez uma experiência: usando eletrodos em 800 carros e trailers, a fim de explanar  mediante um exemplo empírico uma mentira maldosa, trouxe uma grande janela em círculo para o local. O povo partia para seu grande destino: a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela noite foi, também, uma festa. Pode parecer natural a um coletivo bem informado o castigo representar o festivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há crueldade. Foi  um fato social e político. O fim do trabalho de 13 macacos transcendentais que há 200, 400 anos, haviam estacionado carroças e carrinhosde mão em torno da terra. Uma historia antiga, mediante a qual um homem é equivalente a uma sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro David e Rodolfo Silva.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-116720401415081041?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/116720401415081041/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=116720401415081041&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/116720401415081041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/116720401415081041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2006/12/trabalho-da-madrugada.html' title='Trabalho da madrugada'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-116614537804678884</id><published>2006-12-14T17:15:00.000-08:00</published><updated>2006-12-17T14:59:00.826-08:00</updated><title type='text'>É literatura, Fabinho!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;No “Mãos de cavalo”, que Daniel Galera lançou este ano, Hermano, personagem principal, é amigo de um dos melhores escaladores do Brasil. Batizado como Renan pelo autor, entre seus feitos estão a cadena - a ascensão sem quedas- em número recorde de tentativas, da via Massa Crítica, uma das rotas da “Barrinha”, no Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como escalo há anos, contei a história para um amigo meu, também um dos melhores escaladores do Brasil, para mostrar como o Galera tinha conseguido se aproximar da realidade da escalada, citando técnicas, nomes, e até formando um certo arquétipo do escalador. Meu amigo ficou puto, dizendo que ele, e não o personagem do livro, havia batido o tal recorde. Expliquei-lhe que era ficção, não reportagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda pensei em  perguntar ao Galera, por e-mail, se ele havia se inspirado em algum escalador do Rio Grande do Sul, mas desisti depois de ver no blog dele uma reclamação sobre a mania de se procurar semelhanças entre personagens reais e fictícios, geralmente entre o autor e seu protagonista. Elas, as semelhanças, existem, mas nunca estão sozinhas. O amigo do Hermano pode ter todas as características de um escalador qualquer do Rio Grande do Sul, e ter o recorde do meu amigo.&lt;br /&gt;Tudo isso para dizer que acho inútil preencher o perfil aí do lado.Eu estou espalhado em todos os contos abaixo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-116614537804678884?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/116614537804678884/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=116614537804678884&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/116614537804678884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/116614537804678884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2006/12/literatura-fabinho.html' title='É literatura, Fabinho!'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-116452707305564727</id><published>2006-11-25T23:43:00.000-08:00</published><updated>2006-11-27T05:12:55.573-08:00</updated><title type='text'>Nomes</title><content type='html'>Hoje vi algumas aparições na madrugada, no centro da cidade.&lt;br /&gt;Elas estavam tangíveis.&lt;br /&gt;Resolvi que viveria de poesia, da mais concreta poesia possível.&lt;br /&gt;Viver de poesia não é, como se pode pensar, não achar a dor.&lt;br /&gt;A poesia está repleta de dor, e a dor não adorno da poesia também está repleta de poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto agora ter perdido a pessoa que mais amava no mundo.&lt;br /&gt;Falei disso com a Carol.&lt;br /&gt;Ela disse achar bacana eu ter tantas certezas na vida.&lt;br /&gt;Achei então dentro da dor de perder quem mais amava no mundo, a alegria de saber que amava o mundo dentro de uma só pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Condensar é poesia, mesmo que esbarre em prosa como a minha.&lt;br /&gt;Não tem problema, é poesia.&lt;br /&gt;Não prosa poética, mas poesia prosaica,&lt;br /&gt;a única sempre possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que seja pessoal, mas cabralina.&lt;br /&gt;Moralista, e cristalina, como o não ficou Rocinante, no trecho que mais amo de Quixote.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para as Laras, Leal e do Carmo.&lt;br /&gt;Para os Rafaeis, de Souza e Cagibrino.&lt;br /&gt;Para os Rabelais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os Fábios, Watson e Muniz,&lt;br /&gt;Para as Fernandas, Monteiro e Prinz,&lt;br /&gt;Para as Julias, Lemos e Gutnik,&lt;br /&gt;Para as Luisas e Julias, Julia Lemos e Luisa,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Rodolfo Gomes Silva,&lt;br /&gt;Para meu Pai na Silva Jardim,&lt;br /&gt;Para o jardim da casa do Silva,&lt;br /&gt;Para mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-116452707305564727?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/116452707305564727/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=116452707305564727&amp;isPopup=true' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/116452707305564727'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/116452707305564727'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2006/11/nomes.html' title='Nomes'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-116226136432262801</id><published>2006-10-30T18:21:00.000-08:00</published><updated>2006-10-31T16:23:49.640-08:00</updated><title type='text'>Alaranjados e Vermelhos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ela nem reparou, mas os dois peixes do aquário têm a cor de seu cabelo. Passa na sala todos os dias, senta no sofá, coloca as meias, o tênis, e sai. Muito mais fácil colocar a calça depois das meias, o algodão desliza melhor pelo jeans do que os pés nus, ainda um pouco molhados do banho. Mas a janela da sala não tem cortinas, e ela sempre esquece de levar as meias para o banheiro. Por isso, já vestida, anda até a sala com a toalha nas mãos, senta no sofá, pega o par de meias que estava dentro do tênis, coloca as meias, o tênis, e sai. Às vezes olha para o aquário na estante, em cima da televisão, mas não reparou ainda que os peixes têm a cor de seu cabelo. São dois, entre alaranjados e vermelhos. Acho que se chama japonês esse tipo de peixe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não reparou. Desce despencando os três andares do prédio sem elevador, e na rua começa a aflição. Nada no Rio é tranqüilo. Mesmos nas atividades mais corriqueiras e prazerosas, como ir à praia, ou à padaria, sempre fica a sensação de que é preciso estar atento. A tensão não vem do que se lê nos jornais, ela mal tem tempo de ler os jornais, mas da própria cidade, não o Rio, mas a cidade que mora dentro dela, a cidade onde nasceu e viveu até os dezoito anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No começo, ruborizava por tudo. O pior foi quando pediu uma pipoca sem casca.Teve que aturar o pipoqueiro rindo, um riso debochado, que lhe doeu. Ficou entre alaranjada e vermelha. Da cor dos peixes e do cabelo, mas na época não tinha nem peixes nem cabelos pintados.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje, os cabelos entre alaranjados e vermelhos deslizam com mais facilidade nas ruas da cidade, mas, ainda assim, sem o conforto das meias vestidas antes de se colocar a calça jeans. Talvez só abandone a cidade dentro dela para viver nessa de agora, quando encontrar na esquina um pipoqueiro que venda pipocas sem casca, que ela demorou dezoito anos para descobrir que só existem em Petrópolis. Ou quando alguém lhe mostrar que os dois peixes em cima da estante têm a cor de seus cabelos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-116226136432262801?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/116226136432262801/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=116226136432262801&amp;isPopup=true' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/116226136432262801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/116226136432262801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2006/10/alaranjados-e-vermelhos.html' title='Alaranjados e Vermelhos'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-115913351781765199</id><published>2006-09-24T14:30:00.000-07:00</published><updated>2006-09-24T14:34:49.830-07:00</updated><title type='text'>Pausas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Polifonia, grosso modo, é simultaneidade de varias melodias, harmonicamente dispostas. Muitas das vezes, nas composições polifônicas, as frases musicais são independentes, constituídas de sentido quando cantadas ou tocadas em separado. Juntas, porém, o resultado estético se apresenta mais completo. A polifonia, na musica sacra, chegou a ser proibida por um Papa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que as bocas se encontraram, ainda no show, até a porta do apartamento, as pausas foram poucas. Pausa para pagar a conta, se despedir dos amigos. Pausa para pagar o ônibus, para achar a chave, e a abrir a porta. Pausa para colocar um disco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob as melodias imbricadas do jazz, fluía um poderoso contraponto, a conta-gotas. Uma camisa, duas camisas. Uma mão, duas, quatro. Línguas e laços, e poucas histórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O embaraço, desembaraço:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ih, tem que virar o disco.&lt;br /&gt;-Vinil tem essa desvantagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois mamilos, quatro. Dois umbigos. Línguas, lábios, laços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O embaraço, desembaraço:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A pior coisa da nossa geração é a camisinha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Tudo bem. A geração anterior não tinha que virar o vinil? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-115913351781765199?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/115913351781765199/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=115913351781765199&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115913351781765199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115913351781765199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2006/09/pausas_115913351781765199.html' title='Pausas'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-115913305052320056</id><published>2006-09-24T14:23:00.000-07:00</published><updated>2006-09-24T14:37:54.710-07:00</updated><title type='text'>Babaquice</title><content type='html'>LSD oferece:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Momento doce do dia”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava bêbado, e bêbado junto ao Rafael, o que nos faz retardados. Apresentados a uma amiga de um amigo do Rafael, ela quis saber nossos nomes. Não sei por quê, já disse que fico retardado, me apresentei Júdice. O Rafael, pegando a deixa, se apresentou Yadice. (O ipslon eu inventei agora – aliás, será que ipslon se escreve com ypslon?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina, então, disse o nome dela:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Natalice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu desmenti:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu nome é Pedro, o dele, Rafael.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela realmente se chamava Natalice.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-115913305052320056?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/115913305052320056/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=115913305052320056&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115913305052320056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115913305052320056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2006/09/babaquice.html' title='Babaquice'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-115895856985884999</id><published>2006-09-22T13:53:00.000-07:00</published><updated>2006-09-22T13:56:09.870-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/910/3192/1600/Pderin.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/910/3192/320/Pderin.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Desculpem o transtorno. Estamos em monografia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-115895856985884999?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/115895856985884999/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=115895856985884999&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115895856985884999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115895856985884999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2006/09/desculpem-o-transtorno.html' title=''/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-115751877071700259</id><published>2006-09-05T21:58:00.000-07:00</published><updated>2006-09-05T21:59:30.726-07:00</updated><title type='text'>Preciso professor do Português</title><content type='html'>- O verbo "To Be",  em português, corresponde a dois verbos: o ser e o estar. O estar é ligado a situações momentâneas: Eu estou doente, eu estou dando aula. O ser é algo mais fixo: eu sou brasileiro, eu sou louro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- OK. Quando eu estava criança eu era muito confuzado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-115751877071700259?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/115751877071700259/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=115751877071700259&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115751877071700259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115751877071700259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2006/09/preciso-professor-do-portugus.html' title='Preciso professor do Português'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-115674240232721171</id><published>2006-08-27T22:19:00.000-07:00</published><updated>2006-08-27T22:20:27.176-07:00</updated><title type='text'>Nicolau e a máquina</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;"A própria máquina quanto mais se aperfeiçoa mais se apaga e desaparece atrás de sua função. Parece que todo o esforço industrial do homem, todos os cálculos, todas as noites de vigílias sobre as plantas, conduzem apenas à simplicidade, como se fosse necessária a experiência de várias gerações para libertar a curva de uma coluna, de uma quilha ou de uma fuselagem de avião até dar-lhe a pureza elementar da curva de um seio ou de um ombro".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Terra dos Homens – Saint Exupéry)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, bêbado, chutei uma máquina de café. Ela engoliu meu dinheiro, e não cuspiu café. O guarda do metrô disse para não fazê-lo invertendo a lógica ludista, ou, nas palavras de minha mãe, criando o ludismo budista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia, na casa dela, vi “2001, uma Odisséia no Espaço”. Achei por lá Terra dos Homens, de Saint Exupéry.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei Nicolau em Bariloche. Ele vindo de El Chaltén, e eu do Valle Encantado. Ele tinha a barba crescida, e o olhar assustadiço. Falava pouco. Eu falava muito, estava chegando, queria saber. Eles tinham passado por diversos problemas na escalada, que o Neto resumiu com uma “Película de terror”. Somado isso à pedra que quebrou o tornozelo de Nicolau, adiantando a volta ao Brasil, tem-se o susto e o olhar perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ouvi falar que uma das agulhas de El Chalten se chamava Saint Exupéry, fiquei com isso na cabeça. Quando criança estudara num colégio chamado Pequeno Príncipe. Também me marcaram os nomes de outras duas agulhas: Mermoz e Guillaumet. Mas curiosamente, mesmo querendo, nunca tentei descobrir o que significavam, ou como se escreviam.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Logo no começo de Terra dos Homens achei o nome Guillaumet. Não muito distante, achei Mermoz. Guillaumet e Mermoz, como Exupéry, foram pioneiros da aviação civil. Durante alguns anos fizeram o correio aéreo no sul da América Latina. Não preciso do Google.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-115674240232721171?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/115674240232721171/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=115674240232721171&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115674240232721171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115674240232721171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2006/08/nicolau-e-mquina.html' title='Nicolau e a máquina'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-115645408257144308</id><published>2006-08-24T14:13:00.000-07:00</published><updated>2006-08-27T22:06:32.243-07:00</updated><title type='text'>Interpelações:</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;-Ta vendo ali ?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tava indo visitar o irmão em Goiás. Pra avião, só tinha dinheiro para a volta.  O que mais entediava era Minas Gerais, estado onde se passa mais da metade da viagem. É tanta cidade e cidadezinha, que já em Juiz de Fora, Rafael desistiu de olhar pela janela, e resolveu tentar dormir. A situação ajudava. O ônibus deslizava tranqüilo pelo trecho privatizado da Br 040. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enquanto tentava dormir, o cidadão ao lado olhou curioso pela janela, depois pra frente, depois pra janela de novo, e depois pra cara do Rafael, depois pra janela e pra cara do Rafael, e depois pra frente, e viu um pátio cheio de carros e um enorme galpão. O Rafael estava quase dormindo, e o pátio se aproximava. Quando o ônibus ficou paralelo ao pátio, o curioso não resistiu: olhou pela janela, pra frente, e pra cara do Rafael, que já dormia. Pela janela de novo, e cutucou: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Ta vendo ali? Fábrica da Mercedez. Emprega mais de 5 mil pessoas! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Rafael, que é um sujeito educado, olhou pra cara do curioso, pra janela, pra frente, e pra janela, e pra cara do curioso de novo, e lembrou de fazer um leve aceno de concordância antes de voltar a dormir. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Bambambam &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dessa vez fui eu, num coletivo. Um senhor sentou do meu lado, e me julgando um sujeito instruído, resolveu dirimir uma dúvida: ouvira que um tal de “bambambam” iria soltar os passarinhos das pessoas. Ele, que possuía alguns, estava seriamente preocupado. Eu, como um bom sujeito instruído, não ia perder tempo em explicar que o bambambam se chamava Instituto Brasileiro de Meio Ambiente. IBAMA. Muito menos fazer um discurso sobre o absurdo que é engaiolar animais. Tratei de conversar sobre passarinho. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Pintor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse eu não posso identificar, mas se algum dia ler esses relatos, vai lembrar de que demos boas gargalhadas com essa história. Gargalhadas que não garanto agora, porque a graça maior estava certamente na cara de constrangimento do narrador personagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinha ele de um estado longínquo em direção à Guanabara, via Br 101. No meio do caminho, alguma coisa que comera começou a fazer efeito em seu intestino. Como é praxe nessas ocasiões, o tempo não colaborou. Não deu pra esperar a próxima parada.Correu pro banheiro, mas também ali as coisas se precipitaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Humildemente, nosso cidadão se dirigiu ao motorista e solicitou uma parada, no que foi prontamente atendido. Conhecendo a boa vontade da maioria dos motoristas, e a rigidez das regras das paradas em estradas, creio que não foi altruísmo o que motivou o distinto profissional a tal atitude. Suspeito que a “coisa” já chegara à cabine de comando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, o rapaz desceu, e se resolveu como pode. Ao voltar para o seu lugar, ouviu um comentário de duas senhoras que estavam próximas:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-O motorista disse que o rapaz aí do lado é pintor.&lt;br /&gt;-Por quê ?&lt;br /&gt;-Fez obra até nas paredes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu amigo melhorou substancialmente depois da parada, mas por causa de tal diálogo, continuou encolhido na poltrona até a rodoviária Novo Rio. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-115645408257144308?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/115645408257144308/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=115645408257144308&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115645408257144308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115645408257144308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2006/08/interpelaes.html' title='Interpelações:'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-115501133534850201</id><published>2006-08-07T21:27:00.000-07:00</published><updated>2006-08-08T09:10:16.240-07:00</updated><title type='text'>Kiwi, Kiwi</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Só agora, depois perceber o quanto o queijo gorgonzola é salgado, me arrependo de ter pedido um crepe. Ele estava a menos da metade, quando chegou o suco de Kiwi. Só agora, lembrei de Augusto. Talvez tenha passado os últimos vinte anos sem lembrar da existência dele. Foi quando eu tinha mais ou menos dez anos. Falávamos sobre frutas no recreio. Eu disse que gostava de Kiwi. Passou uma ou duas semanas, o Augusto me veio com a pergunta. No domingo, a família havia comprado Kiwi, mas não soube comê-los. Como lembrara que eu gostava da fruta, queria saber se Kiwi era comido com ou sem casca. Não soube respondê-lo. Numa tinha comido Kiwi. A resposta, na conversa de recreio, tinha sido uma das mentiras despretensiosas da infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só agora, tomando em grandes goles o suco de Kiwi, acho um pouco mais pretensiosa a pergunta do garoto. Não que tenha partido dele. Era bem tranqüilo. Mas talvez o pai, querendo me  provar, apurar aquela história. Como o filho da faxineira do Dom Silvério poderia comer Kiwi? Eram essas as pequenas coisas que separavam nós, filhos de empregados, deles, que pagavam a mensalidade. As grandes coisas, às vezes, eram transponíveis. Eu estudava no melhor colégio da cidade. Mas era filho da faxineira, e nunca tinha comido Kiwi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só agora gostaria de encontrar Augusto. Talvez uma buzinada.  Quem sabe, chamá-lo para um almoço. Servir, de sobremesa,  uma grande quantidade de Kiwi, e devorá-los com casca. Mas ele não deve se lembrar do que aconteceu. Minha mãe sempre dizia que eu era como os grandes arquivos do colégio, onde os padres guardavam fichas de várias gerações de alunos. Mas até os arquivos, apesar da mania de precaução dos padres, eram esvaziados de vez em quando daquilo que não lhes era mais essencial.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só agora, com a família viajando, eu comia sozinho e pensava. O crepe chegou ao fim. Só agora, sorvo o resto do suco que se acumula junto da espuma, no fundo do copo, sem temer as reações que o barulho pode provocar. Sinto alguns caroços. Percebo que os Kiwis são parentes dos morangos. Apesar de que esses, se come com casca. Peço a conta, e volto pra casa. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-115501133534850201?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/115501133534850201/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=115501133534850201&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115501133534850201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115501133534850201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2006/08/kiwi-kiwi.html' title='Kiwi, Kiwi'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-115473726031003585</id><published>2006-08-04T17:20:00.000-07:00</published><updated>2006-08-05T00:23:01.483-07:00</updated><title type='text'>Parada dos Burros</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Capítulo 6&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cisco sofreu castigo severo, e voltou para a lida com o irmão. Mas os trabalhos foram interrompidos, pois o inverno já se aproximava. Com as águas, floresceu a lavoura, e desmontou-se a casa. A decisão foi unânime. Cisco foi expulso de Parada dos Burros. Ainda ficou na retina do irmão mais novo, junto com o amargo do arrependimento na garganta, a imagem do irmão mais velho indo embora carregando o quanto podia de livros enlameados sobre os braços.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-115473726031003585?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/115473726031003585/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=115473726031003585&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115473726031003585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115473726031003585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2006/08/parada-dos-burros_04.html' title='Parada dos Burros'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-115466074080254015</id><published>2006-08-03T20:03:00.000-07:00</published><updated>2006-08-04T17:18:39.636-07:00</updated><title type='text'>Parada dos Burros</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Capítulo 5&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cisco aprendeu a ler. Não entendia muito bem alguns dos livros que lia, e teve dificuldade em assimilar a idéia de que alguns eram impossíveis de serem compreendidos. As palavras formadas não faziam o menor sentido, raras vezes entendia as  pequenas. Eram cheios de virgulinhas de cabeça para baixo separando as letras. Só podiam ter escrito errado aqueles livros.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas ele persistiu na leitura, e ao fim de alguns meses, já tinha esgotado todos os livros que havia retirado da casa. Foi quando teve a idéia de arrancar um livro do meio de uma parede. Como esse era pequeno e fácil, leu em dois dias. Arrancou outro, e mais outro e tantos outros conforme o tempo passava.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sabia que era observado pelo irmão mais novo. Saía com o nascente, mas não ia ao campo. Sem a menor desculpa, abandonava o caçula na lida, e ia para o pequeno vale, onde tinha sua biblioteca dentro de uma caverna. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Durante muito tempo o irmão mais novo agüentou calado. Temia o irmão mais velho.Mas quando não pode mais suportar, a seca aumentando o trabalho, a fome e o castigo, denunciou Cisco para os pais. Incrédulos, ambos queriam pegar o menino em flagrante. Não foi necessário muito esforço para tanto. No dia seguinte, Cisco estava a arrancar livros da parede já rala da casa. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-115466074080254015?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/115466074080254015/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=115466074080254015&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115466074080254015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115466074080254015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2006/08/parada-dos-burros_03.html' title='Parada dos Burros'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-115457832059468303</id><published>2006-08-02T21:10:00.000-07:00</published><updated>2006-08-02T21:12:00.606-07:00</updated><title type='text'>Parada dos Burros</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Capítulo 4&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A leitura só chegou muitos anos depois em Parada dos Burros. Cisco foi o primeiro morador da vila a tomar coragem de ir a Serro não para comprar provisões, mas para freqüentar a escola. Em um ano, aprendeu a ler e a escrever o próprio nome, e voltou para casa trazendo consigo um caderno com algumas frases, escritas pela professora.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Todas as tardes, Cisco ia à casa de livros, que ficava ao fundo de uma pequena chácara. No começo, se contentava em ler as lombadas dos volumes, sempre tentando decifras as palavras a partir das frases que tinha escrita no seu caderno. Encontrava semelhança apenas nas “palavras pequenas”, como chamava preposições, artigos e pronomes. Aos poucos, começou a fazer associações fonéticas e identificar alguns substantivos e verbos. Ficou nessa prática por mais de um ano.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No fim da estação das águas, era praxe entre os moradores de Parada dos Burros virem num fim de semana até a casa dos livros para refazer o telhado de folhas. Ao fim do dia, dançavam na  casa, para  assentar o chão de barro, quase sempre revolvido pelas chuvas. Era o único dia em que se ocupavam da casa durante o ano.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas naquele inverno, Cisco se adiantou e foi lá na véspera do dia da reforma. O plano já havia sido maquinado por ele há tempo. Como o telhado estava completamente destruído, com o auxílio de uma escada ele retirou todos os livros mais altos das colunas que formavam as quatro paredes, e escondeu numa caverna próxima.  A diferença de poucos centímetros na altura da casa não foi notada pelos homens que fizeram a reforma do telhado.  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-115457832059468303?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/115457832059468303/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=115457832059468303&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115457832059468303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115457832059468303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2006/08/parada-dos-burros_02.html' title='Parada dos Burros'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-115449550513254260</id><published>2006-08-01T22:10:00.000-07:00</published><updated>2006-08-01T22:58:25.526-07:00</updated><title type='text'>Dias que não deveriam existir</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Acordou sem rumo, perdeu o prumo. Na mão esquerda o resumo da tese sobre “Como se faz uma tese”, de Umberto Eco. Achou dentro de um livro emprestado um cartão de dentista. Não um cartão de visitas, mas um desses onde se marcam datas e horas de consultas.  Visconde de Pirajá. Tentou ver se o endereço era perto de onde morava. Desistiu. Marcou a lápis consultas para todos os dias da semana. No ônibus, gritou com o motorista porque não parou no ponto. Ao lado, dentro do ônibus, estava sua analista. Alguns dias, não deveriam existir. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-115449550513254260?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/115449550513254260/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=115449550513254260&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115449550513254260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115449550513254260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2006/08/dias-que-no-deveriam-existir.html' title='Dias que não deveriam existir'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-115447811068165893</id><published>2006-08-01T17:21:00.000-07:00</published><updated>2006-08-01T17:22:22.596-07:00</updated><title type='text'>Parada dos Burros</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Capítulo 3&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o mascate turco chegou ao vilarejo, já em fins do século XIX, os livros já eram tratados como objetos sagrados pelos habitantes de Parada dos Burros. Foi necessária uma reunião com as pessoas mais velhas do local para que pudesse ser autorizado ao mascate se abrigar da chuva no estábulo dos livros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se estava na estação das águas, não parou de chover durante um mês. No começo, uma delegação de habitantes se deslocava até o estábulo para saber notícia dos livros, mas na primeira semana, o mascate não olhou para eles. Ocupava-se em fazer contas e se lamentar do infortúnio de ficar sem trabalhar por causa da chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os livros, empilhados lado a lado, formavam um bloco compacto com a metade do volume do estábulo. Foi provavelmente num delírio noturno, olhando para aquela massa de papéis, que o turco teve a idéia. Gastou dias a passar goma arábica, que não conseguira vender, em cada um dos volumes. No fim de duas semanas, como num milagre, fez-se o sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mascate saiu então com todos os livros para o descampado atrás do estábulo, e começou a empilhá-los, sempre colocando mais goma, agora entre eles. Em dois dias, havia erguido quatro paredes, por sobre as quais jogou folhas de sapê, abundantes na região.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-115447811068165893?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/115447811068165893/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=115447811068165893&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115447811068165893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115447811068165893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2006/08/parada-dos-burros.html' title='Parada dos Burros'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-115439318520388989</id><published>2006-07-31T17:45:00.000-07:00</published><updated>2006-08-08T09:02:24.186-07:00</updated><title type='text'>Parada dos Burros</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Capítulo 2&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizia a lenda que no século XVIII, quando Parada dos Burros era um mero entreposto da Estrada Real, um dos inconfidentes se refugiara em Diamantina. Afeito aos livros, assim que se estabeleceu na cidade, encomendou a uma tropa que trouxesse do Rio, vinda de Portugal, uma grande biblioteca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chovia muito quando o tropel se aproximou de Parada dos Burros, uma pequena fonte onde era possível dar de beber aos animais. Depois da fonte, havia um grande declive, que se tornava intransponível em dias de chuva. O calçamento, feito de pedras de calcário, se misturava com a lama e com a água, impossibilitando a passagem das tropas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não parasse de chover, os tropeiros foram obrigados a acampar numa clareira próxima. Ao cabo de dois dias, chegou um mensageiro de Diamantina com a notícia de que o homem que encomendara os livros fora chamado a depor na corte, e que suspendera até segunda ordem a encomenda. Mais dois dias de chuva tinham caído sobre a tropa e os livros quando outro o mensageiro veio com a segunda e última ordem: os tropeiros deveriam esconder a encomenda na mata próxima, e regressar ao Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se tem nenhum pormenor. Sabe-se que anos mais tarde, quando a Estrada Real já estava desviada de Parada dos Burros, os livros foram achados. Como ninguém sabia ler no pequeno vilarejo que havia sido erguido no local, eles foram empilhados num estábulo à espera de que algum dia alguém pudesse lhes dar melhor destino. Gerações passaram por Parada dos Burros sem que os livros fossem sequer movidos de lugar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-115439318520388989?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/115439318520388989/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=115439318520388989&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115439318520388989'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115439318520388989'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2006/07/parada-dos-burros_31.html' title='Parada dos Burros'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-115429422053950211</id><published>2006-07-30T14:16:00.000-07:00</published><updated>2006-07-30T14:20:37.980-07:00</updated><title type='text'>Parada dos Burros</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Capítulo I.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Achava cisco a mais bonita das palavras. Quando criança, superava a dor da intrusão de alguma partícula nos olhos só de ouvir a avó dizer: "deve ser algum cisco, deixa eu assoprar". Assoprar, e seu parente culto, soprar, também eram lindos verbos. Mas cisco era a palavra mais bonita que existia.Chamava-se Francisco, e é o que explica. Não gostava, porém, do verbo ciscar. Imaginava sempre um pintinho amarelo encardido ciscando num chão de areia, também encardida e fosca por molhada da chuva.Não gostava de Chico. Não tendo outra opção, já que ninguém enveredou por chamar-lhe cisco, foi até o fim da adolescência Francisco. Mas sempre se acreditou Cisco.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-115429422053950211?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/115429422053950211/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=115429422053950211&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115429422053950211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115429422053950211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2006/07/parada-dos-burros.html' title='Parada dos Burros'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-115319723422112611</id><published>2006-07-17T20:16:00.000-07:00</published><updated>2006-07-30T01:05:48.750-07:00</updated><title type='text'>Peixe</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Consta que os três pegaram o ônibus na Nossa Senhora, na altura do Posto 6. Casal e filho saídos da praia. O pai pagou as passagens com uma nota de dez reais, e amassou o troco, enfiando moedas e cédulas no bolso da bermuda. Enfileirados, foram os três se posicionar na parte de trás do ônibus, à esperara de um lugar vago. O amarelinho estava cheio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino segurou com uma mão a barra da saia da mãe, e com a outra, a barra de ferro por sobre o banco onde se sentava uma menina lourinha. Tímida nos seus dezoito anos, ela não ousou reclamar quando, numa freada, o menino puxou sem querer alguns fios de seu cabelo. Agüentou quieta a dor, virou para trás, e sorriu, como se seu sorriso pudesse sublimar não o instinto do menino, que bem poderia repetir o gesto uma curva adiante, mas a própria dor, tão dissonante numa tarde na qual acabara de deixar para trás, na praia, amigos, para encontrar adiante, no cinema, o namorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma fileira de bancos à frente, só que na coluna da esquerda, um homem dos seus quarenta anos, vestindo camiseta regata, sunga, e chinelo, segurava no colo, embrulhado em jornal, um peixe.Com pouco menos de um metro, o almoço descansava tranqüilamente, só com a cabeça de fora do invólucro de notícias que separava suas escamas salgadas da pele também salgada do homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impávidos, homem e peixe ignoravam o olhar irrequieto do menino, que buscava desesperadamente um lugar para se sentar. Depois de percorrer todos os bancos da direita, varreu toda a coluna da esquerda, desde o trocador, parando de repente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mãe, o neném do moço tem uma cara de peixe!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro do diâmetro que uma voz de três anos foi capaz de alcançar, todos riram. Principalmente a menina lourinha, que esqueceu do puxão no cabelo e se lembrou do poema de Fernando Pessoa que o namorado lhe recitara há alguns dias, que falava sobre uma criança comendo chocolates. “Não há mais metafísica do que chocolates”. Era algo assim que dizia o poema. Não sabia ao certo o que queria dizer metafísica, mas compreendeu na hora, quando da recitação do poema, e agora, com o menino e o peixe. A menina encontrou o namorado na fila do cinema. O casal e o menino saltaram. E o dono da peixaria sorriu. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-115319723422112611?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/115319723422112611/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=115319723422112611&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115319723422112611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115319723422112611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2006/07/peixe.html' title='Peixe'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-115199074952801245</id><published>2006-07-03T22:25:00.000-07:00</published><updated>2006-07-03T22:25:49.526-07:00</updated><title type='text'>Em tempo</title><content type='html'>Cagiba,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem a insônia me fez ouvir os micos à laser.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-115199074952801245?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/115199074952801245/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=115199074952801245&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115199074952801245'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115199074952801245'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2006/07/em-tempo_03.html' title='Em tempo'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-115199054590675352</id><published>2006-07-03T22:22:00.000-07:00</published><updated>2006-07-03T22:22:54.683-07:00</updated><title type='text'>De novo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O texto de baixo o amigo me mandou no domingo, e a idéia de publicar foi minha. Tinha um problema, porém: logo no começo, a repetição da palavra quente. Hoje, o amigo me ligou. O texto não havia sido publicado, mas não por causa do problema. O amigo também não me ligou pra reclamar a publicação. Ligou sem motivo, o maior motivo que se tem pra ligar. De qualquer forma, relatei minha ressalva. O amigo, sem relutar, permitiu que eu fizesse qualquer mudança. Mas agora, encarando a tela branca, me acovardei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava há pouco ouvindo um disco de vinil, e tive medo que fazer com o texto o que CD fez com as músicas que antes ouvíamos em vinil. É preciso diferenciar erro de nuance, e eu não sou capaz de fazê-lo. Bem sei, entretanto, que se não se pode diferenciá-los, deve se esquecer a questão e passar adiante. É sempre mais correto errar. Sou apaixonado por uma menina, um emaranhado de erros e nuances. Linda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;És, minha cara,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre um chiado e um pulo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;És minha cara e tara e apenas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;És de parar o trânsito do meu pensamento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;para ver teu trânsito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;És repetição de palavra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;palavra, palavra, palavra, palavra,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem manual não sei combiná-las&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;És rara, linda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavra, palavra, palavra, palavra,&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Daqui a pouco sai teu nome&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-115199054590675352?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/115199054590675352/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=115199054590675352&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115199054590675352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115199054590675352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2006/07/de-novo.html' title='De novo'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-115199048654180069</id><published>2006-07-03T22:19:00.000-07:00</published><updated>2006-07-18T09:27:54.216-07:00</updated><title type='text'>Por Rafael Nogueira, para mim Cagibrino</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;De vez em quando, a gente tem dias ruins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade no inverno mostra o real significado das tais condições normais de temperatura e pressão, das aulas de química. Nada pode estar mais fabulosamente ameno; o sol não castiga a pele; a boca não seca como nos dias quentes. A cidade também não pode estar mais bonita, pois tira o manto úmido dos dias quentes. Talvez seja assim que acontece na ordem da natureza. No nosso verão, no hemisfério sul, as tardes passam como digestão de comida pesada. A parte de cima do mundo sofre com congelantes dias de pouca luz. No nosso inverno, há o equilíbrio: os ponteiros dos termômetros se acertam. Acho que os vinte e sete graus que tínhamos na manhã de ontem eram iguais aos de Genebra, talvez. Mesma aprazível sensação, tanto cá, quanto lá.Nesse formidável momento de equilíbrio, as pessoas deveriam ficar mais pacíficas. Não digo que deveriam se amar mais. Só respeitar o instante em que o sol bate no rosto e alucina mesmo através das pálpebras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia bandeiras pela cidade, tremulando. Algumas já rotas e embaraçadas. O sol também alucinava as superfícies dessas bandeiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo em agradáveis manhãs, às vezes o dia acaba sendo ruim. Um bom banho, chinelo e sofá, mas algo vai fazer o seu dia ruim; é possível até sentir. A gente segue com os planos, faz as coisas que ia fazer. Nesses dias, a gente vai enfurecer seu bom amigo, que não entende o desespero de quem está prestes a ter um dia ruim. Na verdade, ninguém vai entender seu pavor, e tudo caminha sem mudanças: seu dia já está sendo ruim. Tenta reparar mas  todo esforço é inútil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim, você não consegue da menina mais que um beijo; da consciência, uma lição de moral. Ninguém se importa se você não teve um dia muito feliz, nem mesmo a gente. Mas, de madrugada, a cidade vazia é bonita. Ela oferece à gente o silêncio. Perto de casa, pássaros fazem uma verdadeira sinfonia, com cantos que parecem barulhos de lasers, iguais aos que ouvimos nos filmes. Atentos, pode-se receber plenamente aquele som nos ouvidos. Talvez não fossem pássaros, fossem micos. Não sei. Não acho que haja micos nas árvores da minha rua. Ainda mais àquela hora da madrugada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer modo, nem um dia ruim nem as bandeirolas e ruas enfeitadas têm alguma importância para aqueles pássaros, que provavelmente nunca se deram conta que as bandeiras alguma vez estiveram ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, de manhã, há que se dizer, dá uma baita vontade de acordar sabendo que mais tarde tem jogo do Brasil.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-115199048654180069?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/115199048654180069/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=115199048654180069&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115199048654180069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115199048654180069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2006/07/por-rafael-nogueira-para-mim-cagibrino.html' title='Por Rafael Nogueira, para mim Cagibrino'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-115173681743326795</id><published>2006-06-30T23:52:00.000-07:00</published><updated>2006-07-01T13:32:07.090-07:00</updated><title type='text'>Violão Estrambaboio.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Espantalho não é mais aquele, olha a cara dele, o Espantalho não é mais aquele, olha cara dele! Isso porque andei pensando: ando trabalhando muito com palavras. Aqui, textos que não sei de onde vem, nem para onde vão. Acolá, textos pra TV, textos pra faculdade. Tenho a certeza, com tudo isso, que ainda vou salpicar o mundo de palavras. Não acho improvável que um dia escreva um livro. Se vai ser bom, é outro papo. Mas duvido que faça uma coisa que fiz quando tinha uns quatro ou cinco anos, no máximo: inventei uma palavra. Posso até criar neologismos. Um radical daqui, um sufixo de lá, agora tirar uma palavra nova da cartola, acho difícil. Mas quando se é criança, a gente não está, a gente é, e em algum lugar eu achei “estrambaboio”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com uma colher grande à guisa de guitarra, apoiada sobre a barriga, eu cantava pela cozinha: “Violão estrambaboio, violão estrambaboio”.A pose, provavelmente, vinha da tentativa de imitar o Hebert Vianna que via na televisão. Já o estrambaboio, eu nunca soube, e ninguém jamais descobriu o que queria dizer. O fato é que o violão estrambaboio estava ali, na minha barriga, e eu, num arroubo de metalinguagem, cantava acompanhado dele: “Violão estrambaboio, violão estrambaboio”. De lá pra cá, as coisas só pioraram: aprendi a ler e escrever, estudei, e entrei pra faculdade. Fiz algumas coisas legais, mas nada que merecesse a importância do violão estrambaboio. Acho até que deveria usá-lo mais, principalmente nos momentos de tristeza, afinal, ele é algo que só eu tenho, ninguém mais. Por outro lado, tenho que evitar a tentação de buscar um significado para estrambaboio. Isso implicaria o uso de outras palavras para defini-lo, e palavras que andam por aí, nos dicionários, nos livros e nas placas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-115173681743326795?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/115173681743326795/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=115173681743326795&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115173681743326795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115173681743326795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2006/06/violo-estrambaboio.html' title='Violão Estrambaboio.'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-115147312680037962</id><published>2006-06-27T22:38:00.000-07:00</published><updated>2006-07-06T17:52:41.673-07:00</updated><title type='text'>É Tribuna ou bisnaga ?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A rotina matinal de Otavio é rígida. De segunda à sexta, acorda às seis e quinze da manhã, toma água banho e café, e segue para a escola. Aos sábados, acorda às sete, toma água, banho e café e vai para escolinha de futebol do batalhão. Nesse dia, quase sempre faz para si um protesto: “pra que tomar banho pra jogar bola”, mas na prática é água, banho e café. No domingo, acorda às oito e meia, toma água, e pega cinco reais com o pai, que lhe pede para comprar a Tribuna, ou uma bisnaga. Seu Geraldo nunca pede as duas coisas. Quando come bisnaga, não lê a Tribuna, se lê o jornal, não come o pão, embora nunca tenha se decidido conscientemente por esse agir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que tanto a Tribuna, que é o nome corriqueiro dado ao jornal Tribuna de Minas, quanto a bisnaga, são vendidas no mesmo lugar: bem na esquina da Padre Café com a Cândido Tostes, está a lojinha do Elomir. De nome “Tem de Tudo LTDA”, é para os habitantes do bairro de São Matheus a lojinha. As primeiras três vezes em que Otávio errou, foi por puro azar. Trabalhava sempre com a possibilidade de 50 por cento, e mesmo assim, levou seguidamente tribuna quando o pai lhe pedira para comprar bisnaga, bisnaga quando o pai lhe pedira tribuna, e mais uma vez tribuna no lugar de bisnaga.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desde então, passou a ficar reticente ao balcão. Chegou a mudar de idéia várias vezes, conjeturado sobre o pedido que lhe haviam feito há não mais de dez minutos. “Quero uma tribuna, quer dizer, uma bisnaga, quer dizer, tribuna bisnaga tribuna”. Com o tempo, o gordo Elomir se sensibilizou, e elaborou junto com Seu Geraldo algumas estratégias preventivas: quase sempre o menino já sai de casa com um papel anotado com uma das duas opções. Quando Seu Geraldo esquece da nota, Elomir não se importa em telefonar para a casa do garoto. Dia desses, com o humor corriqueiro que uma manhã ensolarada de domingo despeja sobre os moradores de cidades pequenas e médias, falou sorridente para Otávio: é Tribuna ou bisnaga? O menino deu a resposta que o pai lhe fizera decorar, para brincar com o vendedor: Não sei Elomir, só sei que é pra levar debaixo do braço. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-115147312680037962?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/115147312680037962/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=115147312680037962&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115147312680037962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115147312680037962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2006/06/tribuna-ou-bisnaga.html' title='É Tribuna ou bisnaga ?'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-115138441793978844</id><published>2006-06-26T21:21:00.000-07:00</published><updated>2006-07-06T17:53:43.810-07:00</updated><title type='text'>Teorias</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tenho várias teorias malucas, entre elas uma de que na casa das pessoas existem coisas únicas, não encontrada em outros lares. Não se trata de sentimentos, relações, pessoas, ou ambientes. Trata-se de objetos, quase sempre pequenos. Na minha vó, por exemplo, tinha um artefato de plástico, em formato de "tê", amarelo, da cor dos barbeadores descartáveis da Gillete, que auxiliava a gente a apertar a pasta de dente conforme fossemos usando. Você encaixava uma fenda que havia na parte maior do “tê” no final do tubo, e girava a outra parte. Então, como num milagre, tínhamos creme dental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem também uns suportes para colocar panelas quentes em cima da mesa que ainda existem. Eles são feitos de barras finas de metal entrelaçadas. Em aberto, é lozangular, mas se dobram e ficam compridos. A melhor parte é que eles abrem e fecham como uma sanfona, e se você estica na vertical, tem que comprimi-los na horizontal para que se fechem, e para reiniciar a operação, tem que se fazer o contrário. É difícil de explicar, mas esse simulacro da teoria da relatividade dimensional vem servindo de brinquedo há duas gerações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já na casa de um amigo, que freqüentei muito na adolescência, tinha um suporte de facas. Era como um cavalete de metal. Uma barra fina de dez centímetros de comprimento, mais os ou menos, e nas extremidades, pequenas barras formando um "Xis”. Facas sujas de manteiga não precisavam pousar sobre a toalha da mesa, ou na borda de pires.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tivesse paciência e capacidade descritiva para tanto, poderia enumerar outros objetos, mas paro por aqui. É possível até que eles existam em outras casas, mas duvido um pouco que possam existir dois lares dentro de um mesmo arquipélago social no qual eles se repitam. Explicando melhor, não é permitido, pela lógica que organiza o cosmos, que eu conheça alguém que tenha em casa um apertador de pasta de dentes, nem dois amigos que tenham um apoiador de facas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-115138441793978844?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/115138441793978844/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=115138441793978844&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115138441793978844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115138441793978844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2006/06/teorias.html' title='Teorias'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-115138209590753843</id><published>2006-06-26T21:18:00.000-07:00</published><updated>2006-06-26T22:02:42.883-07:00</updated><title type='text'>Pescaria</title><content type='html'>Ficou moído Sancho, espantado Dom Quixote, desancado o ruço, e Rocinate não muito cristalino;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-115138209590753843?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/115138209590753843/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=115138209590753843&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115138209590753843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115138209590753843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2006/06/pescaria.html' title='Pescaria'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-115086709877215444</id><published>2006-06-20T22:17:00.000-07:00</published><updated>2006-07-01T13:35:52.946-07:00</updated><title type='text'>Um certo Mãos de Cavalo.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Se ela soubesse como meu dia melhora quando ela vem pro trabalho de óculos”. Não é que Fernando pense em alguma frase parecida com essa toda vez que Mariana deixa as lentes gelatinosas em casa pra descansar os olhos por trás de duas de resina, uma com 1,25 e outra com 2,75 graus, emolduradas por uma armação de acrílico azul claro. Ele simplesmente se sente feliz ao vê-la, e só depois compõe alguma sentença. Nos dias dos óculos, é uma frase sobre os óculos, quando não, é algo sobre alguma roupa, ou o cabelo preso ou solto. O fato é que ele sente sempre uma imensa alegria ao vê-la, e em seguida imagina uma frase. São sentenças bobas, ingênuas, como qualquer coisa que ele já tenha pensado em escrever ou escrito. Mas são a porta de entrada de centenas de contos que ele nunca vai escrever. Os contos são o oposto das frases. As frases expandem sensações vividas em milésimos de segundos, existem. Os contos existem por milésimos de segundos, e no fundo são a sensação de ver Mariana lendo um conto dele que comece com a frase. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O problema é que a criatividade sempre lhe falta na hora de compor frases para serem ditas. De qualquer forma, na semana que o editor viajou para uma feira literária, uma viagem à editoria de economia, na antevéspera do fechamento, não era recomendável. Poderia até puxar assunto falando sobre as páginas que ainda estavam em branco, mas uma repórter de economia não levaria muito a sério a dificuldade de fechamento do caderno de literatura. Só eles trabalham. Fernando continuava olhando para o editor de texto e por cima do monitor do computador alternadamente. Quarenta minutos depois, a salvação chegou. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais uma vez, o malote milagroso. Um livro novo que lançavam, mesmo que não fosse bom, saciava a sede do leitor da pagina cinco do caderno, se é que esse leitor existia. Dessa vez, depois de um kit com caneta e uma agenda da Caixa Econômica, pouco útil quando já se está no mês de maio, vinha um envelope timbrado da Companhia das Letras com “Mãos de cavalo”, de Daniel Galera. Antes de ler a orelha, Fernando olhou para o relógio e para a última página do livro. Cento e oitenta e oito paginas, seis horas. Quatro pra ler, duas pra resenhar. A rapidez do cálculo surpreenderia até Mariana, que naquele momento devia estar tentando entender algum dos índices de preços ao consumidor. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foram realmente quatro horas ininterruptas de leitura. Enquanto lia, Fernando nunca anotava nada. Compensava toda dislexia e falta de organização com a capacidade que tinha de abrir blocos de notas dentro do cérebro. Fazia associações, anotava idéias e frases, e estruturava a resenha sem usar a caneta ou o computador, e não perdia a capacidade de fruir a leitura. Quando terminava de ler, já trazia ao menos uma conclusão: gostara do livro. Ele jamais leu um livro do qual não tenha gostado. Julga simplesmente impossível. Lê às vezes mais de dois terços de alguns, mas nunca termina. Ele sabe que isso é incoerente com sua profissão, mas não sabe agir de outro jeito. Por outro lado, acaba lendo bem mais do que se lesse os livros inteiros. Tem semanas em que lê dezenas de livros pela metade, até achar um que o leve até o fim. Se somasse as páginas dos inacabados, sem dúvida elas se sobressairiam às dos livros concluiu durante a vida toda. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Agora estava “Mãos de cavalo”, esperando para ser resenhando. Tarefa ingrata, e até certo ponto, odiada por Fernando. Detesta teorizar sobre livros. Gosta de dividir com os outros sensações que uma passagem traz, e principalmente, gosta de recomendar leituras. Está sempre querendo que os amigos leiam os livros que lê. “Mãos de cavalo”, leitura recomendada. Da resenha feita as onze horas daquela quinta-feira quase nada foi publicado no sábado. O editor voltou mais cedo, pegou meia dúzia de críticas de jornalistas conhecidos, leu o release da editora, a orelha do livro, e lá estavam duas colunas sobre o escritor que amadureceu, e que saído da internet, é agora uma das promessas da literatura nacional.O leitor da página cinco, provavelmente não vai ler o livro, mas algum amigo de Fernando deve fazê-lo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As idéias da resenha, ignoradas por Lício, o editor do caderno, Fernando não guardou em lugar algum. Antes de dormir, lembrou apenas que tinha feito alguma associação com o Tempo e o Vento, de Érico Veríssimo. Nada de novo, mas nada que pegasse o atalho da obviedade. Não tocou na coincidência dos dois escritores serem gaúchos, por exemplo. Da leitura da cena do parto em Mãos de Cavalo nasceu a idéia de imaginar um possível parto para o livro. O Tempo e o Vento, que era pai de tanta gente, e tinha até um bastardo na Colômbia, não ia se negar a reconhecer mais essa paternidade. “Mãos de Cavalo” nascia então no momento em que Toríbio Cambará morria no colo de Floriano, dentro de um táxi, depois de ser esfaqueado em uma briga. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Essas associações livres são o esporte preferido de Fernando, e são, principalmente, seu remédio para dormir. Ele às chama de associação livres justamente porque não tem a menor pretensão de descobrir o elo perdido que liga os escritores.Sabe muito bem que quem conecta um livro ao outro é ele mesmo, e se sente feliz ao conectar um clássico lido aos quatorze anos com um livro lido há poucos dias. No meio das associações sempre surgem frases que ele julga ótimas para as resenhas a serem escritas no dia seguinte, mas quando lembra de escrevê-las, Lício lembra de arrancá-las, quase sempre com argumentos simplistas e antipoéticos: "quem pari é a mãe, e não o pai", disse ao ler o trecho sobre o parto de "Mãos de Cavalo". A vida segue e Fernando continua como um pastor de igreja, pregando o evangelho de sua estante. Naquela noite dormiu com um sorriso ao lembrar de Claudia. Tinha dito à ela que a mania de recomendar livros vinha do fato de querer que os outros gostem daquilo que ele gosta, e que o faz feliz. Ela respondeu que a leitura não era necessária. Bastava gostar dele para gostar de todos aqueles livros. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-115086709877215444?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/115086709877215444/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=115086709877215444&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115086709877215444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115086709877215444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2006/06/um-certo-mos-de-cavalo.html' title='Um certo Mãos de Cavalo.'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29863699.post-115086224554989485</id><published>2006-06-20T20:55:00.000-07:00</published><updated>2006-07-21T11:28:44.973-07:00</updated><title type='text'>Dúvida de português.</title><content type='html'>Será que a palavra "arcaico" tem alguma relação com a arca de Noé?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29863699-115086224554989485?l=literaturameufilho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/feeds/115086224554989485/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29863699&amp;postID=115086224554989485&amp;isPopup=true' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115086224554989485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29863699/posts/default/115086224554989485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturameufilho.blogspot.com/2006/06/dvida-de-portugus.html' title='Dúvida de português.'/><author><name>Pedro David</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004793651914977037</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry></feed>
